quarta-feira, 23 de junho de 2010

Livre comércio

Trabalho com vendas, acho que desde que o mundo é mundo o comércio manda!

É papo de oferta e procura, capitalismo e o lucro acima do bem e do mal. E aqui na firma não é diferente tem metas e objetivos e se você não alcança sua cota, tá fora!

O turno da noite está quase encerrado, mais um pouco assume o turno da madrugada, aqui não pára é 24 horas no ar. O plantão foi o padrão, vendi toda a carga pré estabelecida, o combinado, ainda solicitei mais ao estoque, que prontamente me consignou mais 120 "pacotes de fuga", cada um a 5 reais, o que rende 600 reais, 10% é meu!

Num plantão padrão saio com 240 no bolso, a excelente qualidade do sonho vendido facilita o meu trabalho, que começa as 22 hs e se encerra as 02 hs, 240 reais em 4 horas ou 60 por hora, vale o risco? Até hoje, valeu! Apesar das cicatrizes de confrontos, quando precisei tive assistência para curar minhas feridas. Escolhi de que lado ia lutar desde cedo, isso mesmo lutar, engana-se quem acha que não é guerra, se você acredita que vive numa cidade maravilhosa, esqueça! É a guerra!

Sua cidade está sitiada e disputada por senhores feudais, eu não estou nem aí, quando cheguei a merda já estava feita, não sou eu o herói que vai mudar essa realidade, nem quero, não estou acostumado com o trabalho duro. Vejo muita gente na Tv e nos jornais culpar o usuário, mas na minha opinião de semi-analfabeto, uma vez legalizado, a disputa por mercado se encarrega de neutralizar o comércio ilegal. Mas quem quer isso? Só o consumidor. O consumidor nada pode, é a ponta fraca. Não é liberado, mas o acesso é fácil, se você quiser na minha mão "é" 5 "real" e igual a mim tem milhares espalhados por aí. Essa clandestinidade oferece para nós os penúltimos dessa hierarquia uma ínfima parcela do lucro e para os antepenúltimos também é um nada comparado aos Barões que dos seus escritórios em Brasília ou na zona sul do Rio mandam e desmandam no país.

Enquanto isso não se resolve ou enquanto não chega a minha hora, porque o que tem de braço armado do Cabral querendo que eu vire estatística não tá no gibi, eu continuo por aqui vendendo até o fim do expediente, eu e os consumidores que não falham, todos os dias eles fazem fila para aliviar as tensões da rotina.

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