(continuação)
Layla bate mais uma carreira de cocaína na carteira de identidade, pede que eu segure enquanto ela enrola o canudo, consigo enxergar que ainda faltam seis meses pra que ela complete dezoito anos, estou todo errado cercando uma menor de idade, artigo 214 do código penal, atentado violento ao pudor e exploração sexual de menor, a pena é de reclusão, de seis a dez anos.
Mesmo assim continuo:
- Vai ficar pro baile?
- Essa parada.
Ela cheira que nem gente grande, de ponta a ponta sem pausa, quando acaba, pega a ponta do nariz, levanta com o dedo e puxa os últimos vestígios que possa ter ficado preso nos pêlos do caminho da fossa nasal direita. Linda.
- É daqui do “Jaca” mesmo?
- Não, moro em Guapimirim, trabalho no Rio durante a semana.
- E faz o que pra ganhar a vida?
- Faço a vida.
- Novinha, você é bem direta.
- Não viu nada.
- Te achei a maior gata, quanto é pra gente fazer um amorzinho gostoso?
Layla fica toda envaidecida com o elogio e responde toda sorridente:
- Não tô de serviço, sei lá. Me paga umas cervejas, vamos trocar uma idéia, quem sabe tem desconto pra você.
Era melhor ela me dizer o preço de uma vez, esse barato no final sai caro, prefiro que ela coloque preço. Não deu outra, ela volta a alugar, fala sem parar, efeito do pó. Que furada.
Fomos pro baile, lá pelas tantas o Menor do chapa sobe ao palco e abre com o Rap Bonde do 157:
“... A intenção é má, se eu pego a madame de carro importado, jogo na cara dela meu pistolão cromado, minha sede de vingança já não tem limite, sou mais a minha nova e conspira contra a elite, então tô revoltado, tu tá ligado. Sou o menor cem porcento bolado, não tive um incentivo e nem dignidade, eu sou um excluído, foda-se a sociedade...” (Menor do Chapa)
Depois de vários funks fazendo apologia à facção, as drogas e ao sexo, como no rap doze molas, que é um modelo de tênis com amortecedores semelhante a molas:
“... Tá ligado meu irmão, essas minas tudo mercenária, elas gosta muito de um fuzil, elas gosta muito de uma pistola. Essas minas senta e rebola. É o bonde dos doze mola...”
Nesse set de músicas com referencias sexuais, o MC oferece um tênis da marca Nike para quem tirasse mais peças de roupa, quando percebi uma menina já estava nua no palco, fico excitado, pego na mão da Layla que falava das celulites das garotas e ensino o caminho, ela se arrepia e dá seu preço:
- Me compra um papel de cinco que eu vou te deixar doido.
Vou até a boca e compro o que ela quer, escolho o mais cheio. Ela me arrasta pra um beco onde outros casais estão em ação. Afoita, quer logo seu pagamento e tenta tirar o sacolé das minhas mãos. Fecho a mão e exijo que ela aguarde na disciplina. Abaixo as calças e latejando despejo a cocaína por cima. Ajeito a trilha com um cartão de telefone, Layla ansiosa, espera com o canudo pronto, confeccionado com uma nota de um real enrolada. Eu, ereto, apontado pro céu, equilibro o vício da prostituta, libero o acesso e ela cai dentro sem miséria. A “brizola” acaba e ela inicia seu oficio, fazendo uma faxina labial nos últimos resquícios de pó, mesmo com a boca seca, efeito da droga. Chupa com gosto, cospe, morde, engole até o talo, se engasga e tenta de novo. O badalo da garganta passa batido só na sucção. Não segurei mais e derramei leite goela abaixo. A putinha engoliu tudo se fartando em deleite.
(continua)
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