(continuação)
Layla me oferece um teco, não quero não, essa porra nunca mais, eu sei os meus limites, e com cocaína não tenho limites:
- Valeu gatinha, mas não vou com a ligação, prefiro a fumaça.
- Sem preconceito, sobra mais pra mim, filé.
Alugado pela matraca que não parava de me contar em detalhes todos seus problemas pessoais e familiares, apesar da pouca idade já tinha passado por tudo de pior nessa vida: foi abusada sexualmente por parente, gravidez precoce e pra piorar viciada em cocaína se ela, a Layla, estivesse em sintonia com o nome que escolheu saberia que ela, a cocaína, não mente.
“If you wanna hang out you've got to take her out; cocaine. If you wanna get down, down on the ground; cocaine. She don't lie, she don't lie, she don't lie; cocaine”... (Eric Clapton)
Do outro lado do rio saindo de um beco da Treze, boca de fumo na margem esquerda do rio, em fila, encostados na parede da última casa, limite com a rua, um menino com menos de quinze anos aponta um fuzil AR 15 que mal consegue manter a mira devido ao peso, dois outros meninos um pouco mais velhos, mas certamente menores de idade andam agachados e ajoelham no meio da rua cada um para um lado acompanham o fluxo apontando suas armas de guerra em direções opostas ações rápidas e praticamente indefensáveis, um tipo de guerra não convencional no qual o principal estratagema é de ocultação, em vielas e entoques, a extrema mobilidade dos combatentes, técnica de guerrilheiros.
Fogos de artifício estouram próximo a linha do trem, uma tensão toma conta da rua, alguns moradores entram em suas casas apressados e trancam portas e janelas, crianças que até então brincavam de bola e andavam de bicicleta são arrastadas para lugares abrigados e Layla continuava falando, o assunto da vez é sobre seu cafetão que escraviza e bate nas meninas.
Do outro lado do rio uma movimentação híbrida, centralizada por uma atitude bélica, parecem guerrilheiros, especializados em ataques de surpresa, emboscadas, combates rápidos e sabotagem. Seu ataque gera desorganização devido à alta mobilidade.
Geralmente após um ataque de poucos minutos, o grupo guerrilheiro se retira para atacar n’outro ponto mais adiante, o que ocasiona confusão e o principal objetivo: Baixas no inimigo. Se por um lado os traficantes precisam de treinamento militar adequado, por outro contam com a ajuda de populações que os defendem e com ataques-surpresa ao inimigo, policia. O conhecimento do terreno de combate é uma arma bastante usada nas ações de guerrilhas.
Dessa vez não era nada, só o “Chefão” da comunidade resolveu passear por seus domínios acompanhado por seguranças, para admirar toda a extensão de seu vasto território, território esse que também é sua prisão, desde a adolescência conta nos dedos as vezes que saiu do Jacaré, um Rei aprisionado em seu reino.
(continua)
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